terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Idealização

Idealizar o outro é sem dúvidas atribuir-lhe características que ele não possui, ou enxergá-las através de uma lente de aumento um tanto embaçada, ou pior ainda, vislumbrá-lo como uma criança ao deparar-se com o seu primeiro caleidoscópio, onde tudo é multicolorido,  proporcionando um mundo de sonhos. Isso sem dúvidas é um dos grandes problemas nas relações virtuais, onde a palavra escrita não mostra o seu rosto, a sua expressão facial, os seus gestos e na maior parte das vezes camufla sentimentos, dos mais torpes aos mais sublimes. É quase improvável que você passará pelo mundo virtual sem algum dia ter idealizado alguém como uma pessoa “não pessoa”... É quase como a paixão ou o ódio que muitas vezes nos cegam. O apaixonado é um doente que não consegue extrair um só gesto ou palavra desagradável do seu objeto de paixão, isso quando a paixão é correspondida... Caso não seja, esse sofrerá alguns meses até que comece a perceber como esteve cego durante esse tempo de paixão avassaladora.  
O que odeia porque idealiza o outro apenas através das palavras que ele profere nesse meio não é menos doente do que o apaixonado, pois se permite irritar e realmente odiar alguém apenas por não ser espelho, ou por realmente ser colocado em dúvida a cerca dos seus próprios princípios e muitas vezes da sua postura tão límpida nesse espaço cheio de ruídos e nuvens pesadas.
Idealizar as pessoas é super simples, mas parar para pensar que por mais bobagens ou coisas lindinhas que elas postam diariamente na entre redes, elas são comuns, assim como eu e você... Elas têm família, trabalham, comem, e acreditem, usam o vaso sanitário várias vezes por dia. As pessoas têm as suas rotinas, e essas rotinas não são exatamente o que se vê nas redes de relacionamentos, pois o comum, o cotidiano só pode ser expresso, caso seja algo que para aquela pessoa possa de alguma maneira coloca-la em evidência na escala social.

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