terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fragmentos do EU e do CAOS


Ao criar um perfil as pessoas tentam contar uma história de vida, muitas vezes uma história fragmentada, como normalmente é um perfil virtual. Não há no perfil, mesmo que o Facebook tenha criado a “linha do tempo”, uma sequência lógica da vida dessas pessoas. Algumas tentam certa organização, criando álbuns de fotografias desde a infância até os dias atuais, mas mesmo assim, são apenas pensamentos e imagens estáticas, mortas... É o passado. Muitas vezes me pego observando fotos como aquelas que são distribuídas após a morte de alguém... A última lembrança... Com uma foto meio corpo, o nome e a data de nascimento e morte. E enfim “jazz” que não se ouve e que não se toca. Mas está lá para quem quiser entender a história daquela pessoa que se esmera ao tentar fazer da sua própria vida apenas fragmentos desconexos de um todo chamado existência humana. A falta de odor, de toque, de som, de brilho verdadeiro nos olhos, nos fascina e ao mesmo tempo nos mortifica em meio ao caos das informações, pois para nós não significam quase nada. E quando tentamos atribuir algum significado a elas, normalmente nos perdemos imaginando como realmente é a vida daquela pessoa. Por mais que ela se esforce todos os dias para alimentar um EU que ela acredita existir, tudo se dilui no virtual... Em fragmentos. Pequenos cacos que se juntados podem não dizer absolutamente nada ao sujeito que tenta se identificar catando as migalhas deixadas por João e Maria. Nessa busca frenética pela alegria e vida de festas que são demostradas nesses meios, muitas pessoas sucumbem, pois se percebem demasiadamente humanas, demasiadamente pobres, demasiadamente tristes e demasiadamente putas da vida por não ter aquele “vidão” dos fragmentos que encontra todos os dias passeando desesperadamente pelo caos invisível dos mortos virtuais. Sim, we see dead people todos os dias nas redes sociais. Aqueles pensamentos que você lê, aquelas fotos que você vê já cumpriram um papel... Já registraram um momento, execraram outros momentos e também fizeram rir.
A foto da bicicleta não diz nada... Se eu não contar a história da foto, ela sempre será o que é, apenas uma imagem. Se eu contar a história da foto, ela não deixara de ser o que é, mas ao olhar para ela, alguém mais atento se lembrará o que foi que aconteceu para que aquela imagem fosse registrada. Falo isso, pois as pessoas quase não escrevem mais... Limitam-se as imagens ou em copiar e colar, pois é mais rápido... Manda-se um beijo gelado, sem som, sem saliva, sem sabor... Um eu te amo, ou um eu te adoro... Rápido de escrever e sem se comprometer com o verdadeiro Eu do outro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário