Sempre achei superb ouvir que as mulheres conquistaram alguma coisa... Sempre achei tão excludente ter que conquistar algo que todos deveriam ter naturalmente... Não me encaixo no dia internacional da mulher, nas paradas gays, nas cotas para negros, na bolsa familia, nos direitos dos idosos, nos direitos das crianças e dos adolescentes... Nos direitos das pessoas aleijadas, surdas, mudas, cegas... Não consigo conceber nada que possa ser natural, mas que para isso tenha que se travar guerras... O ser humano é muito podre.
Todos deveriam aprender desde os dois anos de idade conjugar o verbo "respeito"... Respeito pelo seu semelhante... Respeito por tudo aquilo que não é exatamente o que você espera do mundo... Respeito pelos que não são tão semelhantes, mas que certamente dependem de você para ter uma vida digna... Eu mesma mando todos os dias meia duzia tomar no cu, mas com muito respeito... Embora as pessoas ainda não acreditem, é muito mais digno mandar tomar no cu do que desmerecer alguém... Isso eu não faço.
Claro, eu não poderia me esquecer das mulheres que sofrem ainda hoje as maiores atrocidades em nome de culturas obsoletas e que não deveriam mais existir há muito... Mulheres ainda morrem apedrejadas, mutiladas, violentadas de todas as maneiras possíveis e imagináveis... Infelizmente. Portanto, o que nós mulheres temos a comemorar? Eu realmente não sei... Talvez realmente tenhamos alguns motivos para comemorar algumas conquistas... Oh, podemos votar e temos licença maternidade... Eu execro o fenismo assim como execro o machismo... Mas o que dizer quando quem está acima da lei ou naquela bosta de balança que não serve pra nada, não consegue garantir os direitos mínimos de qualquer cidadão? Ah, como mulher... Sério, delegacia da mulher? Isso mostra como somos subsubdesenvolvidos. Um país que nescessita ter uma delegacia especial para mulheres é excludente! E essa merda quase não serve pra nada. Se servisse, não veriamos tantas mulheres mortas pelos seus maridos, ou melhor, assassinos.
comportamentovirtual
sexta-feira, 9 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Mountain View
"Mountain View" é o melhor amigo virtual que alguém pode ter... Está sempre ligado em tudo o que a gente faz. Basta uma mera postagem e "Mountain View" entra automaticamente para ler o tanto de bobagens que escrevemos por aqui.
Obrigada pela companhia, Mountain View.
Obrigada pela companhia, Mountain View.
Fragmentos do EU e do CAOS
Ao criar um perfil as pessoas tentam contar uma história de vida, muitas vezes uma história fragmentada, como normalmente é um perfil virtual. Não há no perfil, mesmo que o Facebook tenha criado a “linha do tempo”, uma sequência lógica da vida dessas pessoas. Algumas tentam certa organização, criando álbuns de fotografias desde a infância até os dias atuais, mas mesmo assim, são apenas pensamentos e imagens estáticas, mortas... É o passado. Muitas vezes me pego observando fotos como aquelas que são distribuídas após a morte de alguém... A última lembrança... Com uma foto meio corpo, o nome e a data de nascimento e morte. E enfim “jazz” que não se ouve e que não se toca. Mas está lá para quem quiser entender a história daquela pessoa que se esmera ao tentar fazer da sua própria vida apenas fragmentos desconexos de um todo chamado existência humana. A falta de odor, de toque, de som, de brilho verdadeiro nos olhos, nos fascina e ao mesmo tempo nos mortifica em meio ao caos das informações, pois para nós não significam quase nada. E quando tentamos atribuir algum significado a elas, normalmente nos perdemos imaginando como realmente é a vida daquela pessoa. Por mais que ela se esforce todos os dias para alimentar um EU que ela acredita existir, tudo se dilui no virtual... Em fragmentos. Pequenos cacos que se juntados podem não dizer absolutamente nada ao sujeito que tenta se identificar catando as migalhas deixadas por João e Maria. Nessa busca frenética pela alegria e vida de festas que são demostradas nesses meios, muitas pessoas sucumbem, pois se percebem demasiadamente humanas, demasiadamente pobres, demasiadamente tristes e demasiadamente putas da vida por não ter aquele “vidão” dos fragmentos que encontra todos os dias passeando desesperadamente pelo caos invisível dos mortos virtuais. Sim, we see dead people todos os dias nas redes sociais. Aqueles pensamentos que você lê, aquelas fotos que você vê já cumpriram um papel... Já registraram um momento, execraram outros momentos e também fizeram rir.
A foto da bicicleta não diz nada... Se eu não contar a história da foto, ela sempre será o que é, apenas uma imagem. Se eu contar a história da foto, ela não deixara de ser o que é, mas ao olhar para ela, alguém mais atento se lembrará o que foi que aconteceu para que aquela imagem fosse registrada. Falo isso, pois as pessoas quase não escrevem mais... Limitam-se as imagens ou em copiar e colar, pois é mais rápido... Manda-se um beijo gelado, sem som, sem saliva, sem sabor... Um eu te amo, ou um eu te adoro... Rápido de escrever e sem se comprometer com o verdadeiro Eu do outro.
Idealização
Idealizar o outro é sem dúvidas atribuir-lhe características que ele não possui, ou enxergá-las através de uma lente de aumento um tanto embaçada, ou pior ainda, vislumbrá-lo como uma criança ao deparar-se com o seu primeiro caleidoscópio, onde tudo é multicolorido, proporcionando um mundo de sonhos. Isso sem dúvidas é um dos grandes problemas nas relações virtuais, onde a palavra escrita não mostra o seu rosto, a sua expressão facial, os seus gestos e na maior parte das vezes camufla sentimentos, dos mais torpes aos mais sublimes. É quase improvável que você passará pelo mundo virtual sem algum dia ter idealizado alguém como uma pessoa “não pessoa”... É quase como a paixão ou o ódio que muitas vezes nos cegam. O apaixonado é um doente que não consegue extrair um só gesto ou palavra desagradável do seu objeto de paixão, isso quando a paixão é correspondida... Caso não seja, esse sofrerá alguns meses até que comece a perceber como esteve cego durante esse tempo de paixão avassaladora.
O que odeia porque idealiza o outro apenas através das palavras que ele profere nesse meio não é menos doente do que o apaixonado, pois se permite irritar e realmente odiar alguém apenas por não ser espelho, ou por realmente ser colocado em dúvida a cerca dos seus próprios princípios e muitas vezes da sua postura tão límpida nesse espaço cheio de ruídos e nuvens pesadas.
Idealizar as pessoas é super simples, mas parar para pensar que por mais bobagens ou coisas lindinhas que elas postam diariamente na entre redes, elas são comuns, assim como eu e você... Elas têm família, trabalham, comem, e acreditem, usam o vaso sanitário várias vezes por dia. As pessoas têm as suas rotinas, e essas rotinas não são exatamente o que se vê nas redes de relacionamentos, pois o comum, o cotidiano só pode ser expresso, caso seja algo que para aquela pessoa possa de alguma maneira coloca-la em evidência na escala social.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Comportare
A palavra latina comportare significava "transportar coisas para um mesmo lugar", "reunir", "colecionar", "amontoar".
O comportamento social pode ser inadequado ou adequado. Quando adequado, faz-nos pensar em concordância, o que proporciona certo conforto ao interlocutor ou espectador. Uma pessoa que sempre se comporta como os outros querem ou esperam, adapta-se as regras sociais, o que lhe proporciona sentir-se ajustada no seu meio social e aceita pelos demais. Porém, nem todos somos iguais, aliás, não há ser nesse mundo que seja apenas um clone ou um robô repetitivo capaz de simular o tempo todo um comportamento de gado, embora isso pareça muito comum quando vemos multidões se comportando no estilo “ôla” de pensar.
Voltando a palavra comportare, que aliás, é sonoramente muito bela e que tem um significado bastante curioso, faz-me pensar o que são essas “coisas” que devem ser transportadas para um mesmo lugar... Ora, cada um deveria poder transportar o que tem e o quanto quer transportar, mas parece-me que tem algo velado, pois em se tratando de comportamento, há um limite e um padrão do que e do quanto pode ser transportado. Existe uma balança e um controle de qualidade que te impede de transportar as suas coisas sujas e a meleca do seu nariz para esse lugar chamado sociedade, seja ela virtual ou não. Portanto, acredito que nem tudo pode ser transportado caso você queira ter uma vida social aceitável ou brilhante aos olhos alheios. Antes de se incluir em qualquer sociedade, provavelmente você terá que se livrar de alguns fantasmas, da sujeira que está em cima do tapete (a que está debaixo é aceitável), você terá que se sacrificar para carregar aquele bombom Sonho de Valsa que você odeia, você terá que carregar na sua bagagem um tanto de paciência e hipocrisia e um sorriso gelado para ser finalmente o que esperam que você seja, um ser social. Assim você poderá ao longo da sua vida, transportar, reunir, colecionar e amontoar um monte lixo que você não gosta e que não levará para tumba... Você poderá chegar ao fim dos seus dias sendo um ser socialmente aceitável, porém infeliz, já que não pode mostrar as suas pequenas sujeiras, as suas pequenas ou grandes fraquezas, a meleca do seu nariz, já que sempre manteve em sua face, o sorriso congelado das pessoas cinzas, ou a morte estampada na cara do defunto prestes a ser enterrado.
Você teve um comportamento adequado, parabéns.
A Imagem
A imagem está intimamente ligada ao seu objeto, ou a sentimentos que esse objeto, no caso o ser humano, deseja expressar ou comunicar. Nas relações virtuais, a imagem é tão ou mais importante do que as palavras. Tudo que pretende comunicar ou ser público é muito bem trabalhado para que atinja o seu objetivo, seja por uma estética impecável ou pelo hiper-realismo. Não há na construção virtual de um “ser” a pretensão de ser original ou autêntico. A originalidade pode existir desde que comunique aquilo que se pretende ser, e não o que realmente se é de fato, portanto, fruto de um trabalho estético às vezes primoroso para transferir a imagem virtual a perfeição que não existe e que jamais existirá em se tratando de seres humanos. Não é uma tarefa fácil manter uma postura virtual impecável, já que todos têm os seus dias ruins ou muito ruins. Os que realmente querem manter as suas vidas virtuais impecáveis, jamais contam um “pecado”, pois isso pode condená-los a um desmascaramento não desejável, colocando-os como seres imperfeitos nesse meio das redes sociais, onde não é possível ser infeliz. No máximo as pessoas podem ser melancólicas, o que atrai a atenção de outros que se julgam os salvadores das “almas penadas” e necessitadas de atenção nesse mundo que já não é tão admirável e nem tão novo.
Sendo assim, depois da construção dessa imagem inabalável, as palavras, ou poucas palavras, têm que estar de acordo com todo esse emaranhado de vida eternamente feliz, sem choro, sem tristeza, e de preferência sempre alto astral, o que é humanamente impossível. É um mundo onde quase todos tentam ser politicamente, ecologicamente, moralmente e sexualmente “corretos”. Tudo o que é considerado lindo é largamente compartilhado sem que haja uma visão crítica ou discernimento do que está sendo divulgado. Se a pessoa gosta ou não do que está compartilhando, isso é o menos importante, pois o que interessa é ser “igual”, é estar de acordo com uma maioria burra que não se dá ao trabalho de pensar antes de meter o dedo no teclado e “curtir”, “compartilhar”... Lamentável.
Mas o comportamento virtual pode fugir a esse padrão esteticamente engessado, e é aí que nem tudo é tão bonito. Não há muito espaço no meio virtual para quem é autêntico, pois a sociedade hipócrita não aceita ou te acusa com olhos arregalados por você não ser polido, por você expressar o que você quer com uma estética diferente da que a que é exigida nesses meios geralmente intelectualmente empobrecidos. Todos têm a opção de ser quem realmente são nas redes sociais... Essa é uma grande mentira. Como ser original, franco e não medir o teor das suas palavras diante de um público que normalmente você só conhece 5%? Simples, sendo um Kamikaze social, uma verdadeira suicida social. É nesse grupo que eu estou e é por isso que de tempos em tempos saio das redes, já que a maneira como me expresso não é aceitável, o que pode até comprometer algumas pessoas que dependem de mim.
Mas, por que é que não se pode ser o que é? Por que o que falamos pode atingir alguém que não é responsável pela força que empregamos em nossos textos, em nossas palavras? É um emaranhado de relações que não te dá uma brecha para ser apenas você, pois não somos uma ilha. Mas que inferno! O ser humano não é uma ilha, mas pode tornar-se ilha ao entrar numa rede social e não poder ser o que ele realmente é.
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